A dinâmica da leitura cartográfica da cidade de São Paulo sofre um processo contemporâneo de diálogo entre a construção de mapas mentais do espaço geográfico urbano e memórias artificiais dos padrões de GPS (Global Positioning System). Entre os agentes dessa cidade temos as redes de taxistas, que se apropriam dessas novas tecnologias de informação geográfica, em que são cada vez mais disseminadas com leitores de GPS, uso de celulares que também funcionam como simuladores de coordenadas espaciais equivalentes ao GPS, que ressignificam a construção do deslocamento, trajetórias, territórios, paisagens.
A leitura do espaço não está mais associada ao processo dinâmico de enfrentar o labirinto da cidade a partir de referenciais antropomórficos, em que o deslocar estava numa construção subjetiva do mundo, em que as variáveis do ficar perdido, descobrir novos caminhos, desenvolver estratégias de criar atalhos para fugir do trânsito, foram substituídos por uma certa segurança técnica de leitura do espaço propiciada pela serviço cartográfico do GPS. Enfim, uma troca da percepção territorial feita a partir de referenciais de coordenadas de espaço geográfico próprio de um olhar tecnológico, que indicam caminhos cartesianos nesse imenso labirinto da cidade.
Nesse momento fica latente a construção da percepção do espaço a partir da articulação teórica do geográfo Milton Santos sobre a relação de que cada novo sistema de tecnoesfera criamos uma psicoesfera. De fato é necessário pensarmos como articular a leitura da cartografia da cidade de São Paulo a partir do uso do GPS, tanto na forma de pensar do cidadão comum, como em particular dos profissionais que precisam ter a competência geográfica da leitura territorial, da paisagem urbana, do espaço complexo dessa cidade que dia a dia assume novas configurações, novas complexidades, novas obras estruturais de redes de esgoto, cabeamentos de fios telefônicos, redes de distribuição de água, etc. Enfim, como conceber a leitura do espaço da cidade de São Paulo a partir da construção territorial necessária para habilidade de deslocamento dos taxistas? Portanto, como dimensionar essa mudança de paradigma cartográfico a partir do uso dessas novas ferramentas de informação geográfica, em que o referencial de controle do espaço antropomórfico muda para uma outra matriz de percepção cartesiana, técnica e tecnificante da paisagem urbana.
A construção da percepção do deslocar, perder, descobrir, o elemento surpresa de encontrar novos objetos geográficos capazes de reconfigurar uma percepção dinâmica da cidade fica estagnada num primeiro momento, pois existe uma crença na capacidade técnica de construir um sentimento de segurança, capaz de normatizar um certo conforto ideológico de controle sobre o espaço da cidade, necessário para criar também um conforto psicológico de segurança, de orientação cartográfica da cidade. Entretanto, a dinâmica entrópica da cidade irá revelar que esse desejo de controle técnico não passa de mais uma estratégia onírica, pois os mapas mentais, subjetivos, antropomórficos, não podem ser substituídos por processos de simulações de leitura do espaço. Enfim, o que podemos começar a dialogar é a construção dessas ferramentas de tecnologias de informação geográfica para ampliar a percepção humana do espaço geográfico, necessária para dialogar a construção de perspectivas de rupturas e continuidades para novos mapas mentais da cidade.